Mostrando postagens com marcador Homofobia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Homofobia. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Nem tão fora do armario

Como não ando com idéias de pautas tão originais assim resolvi aproveitar o gancho do Dia de Mundial de Luta contra a Homofobia, quando muita gente diz que o primeiro passo para ganhar respeito é sair do armario. Mas sabe que até hoje não me assumi para a minha familia?E sei que aqui no interior do país não sou o único nessa situação.
Parece piada, já que não faço nenhuma questão de esconder que sou gay para os amigos ou no trabalho, mas contar para os meus pais não é algo que considere num futuro próximo.

Não preciso me resolver, sei muito bem o que quero e o que não quero, mas ter de resolver os conflitos de quem nasceu nos anos 50 não é facil. Conheço meu eleitorado, sei que meu pai ficaria sem falar comigo e minha mãe choraria por alguns meses. A relação não seria mais a mesma.
Lá no fundo sei que aceitariam, mas não aguentariam ouvir piadas sobre gays dos amigos ou colegas de trabalho deles. E olha que falo de amigos que como meus pais são professores. Se no meu caso já é dificil, imagina para quem é filho de quem não teve acesso a educação formal?

Por isso desde quando percebi que não era hetero resolvi criar um personagem para o povo lá de casa. Não banco o machão, incoerência não é comigo,apenas não digo nada sobre minha vida sentimental. Acho que não conto porque não ia saber como contar e qual seria a reação. Sigo asséptico quando tocam em assuntos como com quem fiquei, beijei ou porque não tenho uma namorada.

Sai de casa quando tinha 14 anos e isso mudou muito a minha relação com meus pais. Sou quase independente financeiramente deles, não que ficar sem dinheiro me preocupe tanto assim, sei que não me deixariam passar por alguma dificuldade.Mas tenho muito medo da falta que eles fariam se não falasse a verdade... Alguma dica de como faço isso?

terça-feira, 16 de março de 2010

Novela Malhação: Alê e Valter

Sempre que posso digo que tenho orgulho da Rede Globo de televisão. Sim, tem inúmeros defeitos como nos empurrar muito conteúdo vazio e "pipoca" (Faustão entre tantos outros). Sim, em vários momentos apresentou jornalismo tendencioso e/ou chapa branca, inclusive na ditadura militar.

Apesar de concordar que novelas são imbecilizantes, especialmente as focadas em públicos muito específicos como Malhação, admito que às vezes assisto para "desligar" o cérebro e parar de pensar em problemas. No passado fui muito mais noveleiro.

Inclusive por novelas de inegável valor histórico, cultural e artístico como Tieta, Roque Santeiro, a primeira com a Dona Armênia (Rainha da Sucata) entre tantas outras, a produção de séries e manutenção de um padrão de qualidade inegável e invejável, a empresa se destacava dentro e fora do país como produtora de conteúdo com qualidade e quantidade. Nacional, em bom português, documentando regionalismos e caracteres brasileiros de forma realmente artística.

Apesar disso tudo, como no resto do mundo observava-se que minorias eram muito pouco representadas. Numa época em que a TV era a janela - e ainda é - da maioria dos brasileiros para o mundo, negros, asiáticos, deficientes físicos, homossexuais, dentre outros grupos, ou eram timidamente representados, ou simplesmente esquecidos. Isto claro tinha e tem impacto na população, especialmente nos jovens. É difícil conviver sem preconceito quando se desconhece no mínimo o "diferente". É difícil para a auto-estima de jovens LGBT a passagem pela difícil e sempre pedregosa adolescência sem modelos com os quais se identifique e que considere "positivos".

Até os 17 anos, quando fui morar nos EUA, só conhecia de gays o Jorge Lafond, a Rogéria, a Roberta Close e um cabeleireiro da cidade em que morava - estes todos aprendi a admirar e a compreender de alguma forma com o tempo. Foram corajosos que permitiram os avanços nos direitos e garantias mínimas ao indivíduo que, infelizmente, ainda não são universais nem adequados. No último ano do ensino médio, em uma escola americana, dei-me conta de que, por nunca ter estudado em escola pública no Brasil, nunca tinha tido um(a) colega de classe negro.

Aos poucos conceitos como igualdade, visibilidade e tolerância (prefiro respeito) foram se consolidando na sociedade e obrigando mudanças. Mesmo assim a comunidade LGBT sempre ressentiu-se da falta de um personagem positivo, um casal real, que inclusive incluísse o tão esperado e sempre vetado beijo gay. Aos poucos (sempre) foram surgindo personagens menos estereotipados, com mais participação, e a MTV-Brasil foi pioneira e corajosa em televisionar o primeiro beijo gay. Infelizmente, sem a abrangência nem audiência nacional da Rede Globo.

A Rede Globo é carioca e brasileira. O Rio e o Brasil, já disse aqui, possuem populações que mesclam desinformação, preconceitos e provincianismo/atraso. Por isto reconheço mérito na coragem do autor e da empresa ao retratarem de forma (talvez) realista personagens gays na adolescência, seus dramas, seus méritos, questões familiares. No último capítulo falaram sobre aceitação pela família, o famoso "sair do armário". Malhação é um formato de sucesso por ser a novela que se mantém pelo maior tempo contínuo na emissora, e o tema sempre foi polêmico e socialmente explosivo. Há histórico de perdas de patrocínios e anunciantes no exterior e no Brasil. Por isto acho que a empresa foi corajosa. Também via como uma dívida, mas reconheço as barreiras abjetas. Mas o enfrentamento, ainda que tímido e parcial, não elimina o mérito da tentativa nem a constatação da intenção a meu ver necessária - nem por isto presente - e corajosa ao abordar o assunto de forma mais direta.



Ainda não sei se o beijo que a comunidade LGBT brasileira quer ver acontecerá. Não sei o desfecho da trama, mas achei estes dois vídeos positivos. (O de hoje - 15/03/10 ainda não está disponível). Mas que contribua para a visibilidade, a auto-aceitação, o respeito às diferenças, a compreensão e finalmente, ao combate à homofobia.

Pessoalmente, considero leis contra preconceitos pouco eficientes. Acredito na Educação e na Justiça como invenções humanas que passaram a promover o avanço e predomínio do que há de bom na humanidade. Contudo, não sou a favor de cotas ou leis criminalizantes, e sim entendimentos sociais de que democracia não é a ditadura da maioria e DEVE incluir sólido respeito aos direitos e garantias fundamentais do indivíduo. Os indivíduos LGBT devem ser respeitados apenas por serem portadores destes mesmos direitos, iguais a todos, nem mais nem menos. Inclusive o de ver-se retratado(a) em uma personagem de TV que possa gostar de sim mesmo(a), namorar e, porque não, beijar como todos?

Lembro que os direitos são da emissora e os trechos exibo aqui com fins de exemplificação.

sábado, 20 de junho de 2009

terça-feira, 2 de junho de 2009

O INIMIGO TEM ROSTO... E JORNAL QUE O PUBLIQUE!

Já comentei, em alguma oportunidade, que comecei a blogar pelo sentimento de indignação ao pensamento, veiculado com habitualidade pelo jornal O ESTADO DE S. PAULO, de CARLOS ALBERTO DI FRANCO, um dos pilares da Opus Dei na mídia.

No meu extinto blogo Passado com o Brasil, em 09.09.2008, expus minha revolta ao ataque desse católico fundamentalista a um Projeto de Lei patrocinado pelo IBDFAM (Instituto Brasileiro de Direito de Família), que visa, dentre outros pontos, a inclusão da família homossexual na legislação brasileira.

Em 23.03.09, cheguei a me queixar aos editores d'O ESTADO DE S. PAULO nos seguintes termos: "é justamente nesse espaço, Opinião, que mora meu maior desconforto: Carlos Alberto Di Franco. (...) francamente, é difícil de engolir. Pois, além de causar azia, causa-me asco. Asco este que não me causam as palavras de líderes religioso, por exemplo, pois estes assinam suas palavras como tais. Asco deixaria de me causar o Sr. Di Franco se este se assumisse como membro da Opus Dei, por exemplo. Do jeito que está (do modo como assina seus artigos), este Sr. só faz macular a imagem dos jornalistas, pois é trazido como uma autoridade dessa profissão. Quer estragar minha manhã? Publique o Sr. Di Franco."

Sobre ele, voltei a falar, já neste R.H., em 18.05.09.

Mas ontem, 01.06.09, DI FRANCO voltou a vociferar contrar uma possível família homossexual. Sobre o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT), documento firmado por representantes de 18 Ministérios do governo Lula, ao comentar que o "governo quer que seja incluída nos livros didáticos a temática de famílias compostas por lésbicas, gays, travestis e transexuais", e que, ainda, "na área da educação, recomenda cursos de capacitação para evitar a homofobia nas escolas", DI FRANCO sentencia que:

"Não cabe ao governo, com manuais, cartilhas e material didático, formatar a cabeça dos brasileiros. Tal estratégia, claramente delineada no discurso do secretário Paulo Vanucchi, tem nome: totalitarismo. O governo deve impedir os abusos da homofobia, mas não pode impor um modelo de família que não bate com as raízes culturais do Brasil e nem sequer está em sintonia com o sentir da imensa maioria da população."

Que a Igreja Católica, mormente as alas fundamentalistas da Opus Deis, sejam contra os homossexuais, não há novidade nisso. O fato aqui é que, na mídia, o inimigo do movimento LGBT tem nome e foto: É CARLOS ALBERTO DI FRANCO.

Se tivesse sido jornalista no final do Império, certamente o Sr. Di Franco colocaria a Princesa Isabel no mesmo lugar em que vem colocando tudo o que se refere à dignidade homossexual em seus artigos.

Por isso, deixei de assinar O ESTADO DE S. PAULO.