Dia desses eu conversava com um amigo sobre como havia sido o fim de semana. Conversa vai,conversa vem, ele me questiona o motivo de eu não ter muitos amigos gays, de não conviver tanto com eles na proporção em que convivo com meus amigos heteros. Parei e fui contar com quantos amigos eu passo mais do que uma hora. A lista não chegou a dez, quase nã0 chega a oito.
Fiquei matutando, matutando e percebi que a maioria dos amigos gays são virtuais. Fora twitter, msn, facebook eu praticamente não conheço quase ninguém. Acho que a explicação é que eu não costumo sair muito pra baladas gls, não sou muito fã de boate e confesso não ter muito saco pra tentar.
Boate com tribal e drag music me cansam de uma maneira absurda. Cansam porque não consigo ver ritmo, melodia ou coisa parecida nessas musicas. Me cansam também porque são sempre as mesmas caras com os mesmos carões.Prefiro sair com meus amigos pra um bar aonde eu possa ouvir uma musica um pouco mais harmônica ou ficar na casa de alguém jogando conversa fora. E em geral,se ouve do sertanejo à Belchior, o que deve me tornar a bicha mais brega entre os blogayros (prova disso é a expressão matutar,que costumo usar em conversas e resolvi colocar nesse texto. Quem hoje em dia fala isso?)
Acho que eu não sou um grande exemplo da cultura queer sul-mato-grossense, já que conheço e convivo com um grupo pequeno de gays e também não me identifico muito com os outros que estão fora desse grupo.Não sei se quando escrevo represento muito quem vive aqui ou que acontece por aqui, também não tenho vocação pra ser flyer de festa ou consultor de sauna. Tem outros blogs que escrevem - com muita propriedade - sobre o assunto. Também nao sou o *mais famoso na noite* pra sair escrevendo sobre aonde ir, com quem ir e o que ouvir. Não me identifico com o que vejo quando saio e por isso sigo sem sair e conhecer mais a noite glstuvxyz local.
Esse amigo - que é praticamente uma celebridade gay de Campo Grande - comentou que conviver demais com gay, acaba deixando agente afetado demais e que as bichas são, em geral, más demais para serem amigas. Se eu não fosse um cara com anos de terapia nas costas, ia jurar que essa linha de "não me misturo com gays" me torna menos homossexual e melhor que os outros, mas sei bem que não é assim. Não é porque não vou aos dois bares gays dessa cidade ou porque que não vou na noite gls da boate que deixo de fazer parte da tal cena queer de Campo Grande.