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sábado, 7 de agosto de 2010

GQ e Details


RH recomenda.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Eva viu a uva, pisou, fez vinho e bebeu


Justificativas à minha resistência ao termo "cartilha" e congratulação aos elaboradores das 30 ideias

Há quase 1 mês, lançou-se, na blogosfera, uma idéia: a reunião de 6 blogayros para a elaboração de uma cartilha de orientação ao homossexual. Pouco havia se falado sobre seu conteúdo e, por isso, dada a minha formação e meu estilo acadêmico, publiquei dura crítica ao uso de uma cartilha (veja aqui).

Apesar do berreiro de alguns, os próprios autores da cartilha - com quem, registre-se, sempre mantive cordial relacionamento -, ao que tudo indica, pararam para pensar (parar para pensar é, de fato, o mais importane exercício da Filosofia e, como toda ciência traz em si a necessidade de uma Filosofia que a repense constantemente, pode-se dizer que o trabalho desses 6 blogayros foi cuidadoso e responsável). Baniram o termo "cartilha" e, mesmo com um pequeníssimo atraso da edição (antes prevista para o dia subsequente à Parada Gay paulistana), publicaram o blog 30 IDEIAS PARA AJUDAR A CAUSA LGBT DO SEU JEITO. Li e reli... BRAVO!

Um dos idealizadores, o jornalista GUSTAVO MIRANDA, mantenedor do blog BOTA DENTRO, teve, inclusive, o cuidado e a cordialidade de voltar àquela minha crítica postagem e esclarecer a que veio: "vencer preconceitos". Louvável. Tão louvável quanto as ideias publicadas, ideias essas que, através desta postagem, homenageamos e recomendamos a leitura e reflexão (link acima).

Todavia, nem todos tem tutano suficiente: um leitor massacrou, da forma mais maquiavélica possível, o debate instaurado naquele momento. Uma pena.

O resultado da aparente "briga", ao fim, revelou-se saudável e necessário embate de ideias para aperfeiçoamento do trabalho. Deixou-me triste apenas a mentalidade tacanha daqueles que refutam o debate, que almejam o fim independente dos meios (e aí está o mais puro método d'O Príncipe).

Afinal de contas, Democracia pode ter a ver com tantas coisas que, como ensinava meu professor de Direito Constitucional, MANOEL GONÇALVES FERREIRA FILHO, está em todos os lugares e, ao mesmo tempo, não está em lugar nenhum. Pode ter a ver com o tudo e com o nada. Juristas do quilate de NORBERTO BOBBIO (Itália) já apresentavam a problemática de uma possível utopia na tentativa de uma definição clara e única de Democracia. E, se Democracia pode abarcar tudo, não só também pode, mas DEVE (até mesmo por conta dessa incerteza conceitual), instaurar o debate, que foi o que fiz, de maneira cordial, sem agredir pessoas.

Um revolto leitor chegou, inclusive, a sugerir que um skinhead era mais honesto do que eu, lastimo (Democracia também traz o direito-dever de lastimar frente à inconcordância no debate).

Não quis censurar ninguém, o que fiz foram, repito, críticas duras, mas que foram inteligente e nobremente levadas em consideração pelos autores das 30 IDEIAS.

Tenho em meu currículo passagem por Brasília e conheço bem as regras do jogo político legislativo. Afirmo, então, que de forma abrupta a "causa" jamais logrará êxito (a não ser que se pegue em armas), como nunca logrou, pois assim sempre foi feito. Tudo é um jogo de xadrez e, em política, as palavras pesam demais, devendo, portanto, ser selecionadas com o maior rigor possível.

Por derradeiro, em resposta ao revoltado leitor, digo: Eu não beijaria o Sarney se ele se dissesse favorável à causa gay por execráveis interesses eleitoreiros.

Acredito no debate de ideias. Acredito na solidez das atitudes pensadas. Desacredito em homens bomba.

sábado, 13 de junho de 2009

Cartilhudas

Essas bichas não desistem nunca de ter uma cartilha. Ninguém dá o que não tem. Isso sim é para se aprender. Em boca fechada não entra mosquito. Até o UOL entro na onda das "cartilhas".


segunda-feira, 8 de junho de 2009

"Eva viu a uva"


Nunca fui aquilo que se convencionou chamar "de esquerda", mas vou me socorrer de uma frase do educador PAULO FREIRE:

"Não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho." (Educação na Cidade)

De fato, desconfio das cartilhas, pois sua intenção é impositiva ou, na mais amena das hipóteses, meramente descritiva. Se não é assim, não é cartilha. Cartilha é silabário, não é instrumento com escopo de proporcionar a reflexão. Se se propõe a isso (ao fomento do raciocínio reflexivo), não é cartilha.

Logo, dizer que o público homossexual necessita de uma cartilha é buscar impor. Não sou alheio às mazelas culturais dos homossexuais, muito pelo contrário. Todavia, o regime democrático, a meu ver, deve repudiar qualquer forma de imposição de conhecimento e, em contrapartida, abrir espaço para o direito de "lamentar". Assim como eu lamento a mentalidade puramente capitalista e bombástica (pois ela mina um movimento que tende a ser político) de empresários do entretenimento que organizam a "balada" para o mesmo horário que a parada, eu tenho que lamentar a mentalidade dos despolitizados, incôncios da situação oficial do homossexual como cidadão de segunda categoria.

Mas a regra do livre-arbítrio (para os que crêem em Deus) e da liberdade (para os que buscam a Democracia) devem triunfar e, nesse cenário, não há espaço para cartilha de modus vivendi. No máximo, cabe a nós, conscientes, o direito de lamentar. Se quisermos agir, esse agir deve ser um agir provocativo, que provoque reflexão e, pela autodeterminação humana, aquele que é beneficiado pelo agir reflexivo pode adotar novas posturas.

Não se ofendam, autores de cartilha. Poderá meu cuspe cair em minha testa. Mas, se a cartilha do homossexual, na qual alguns blogayros estão debruçados na elaboração, for um ponto de reflexão ou um guia de acesso ao Poder Público, será ou um manifesto ou um guia.

Não se pode buscar o certo começando pelo errado (a Revolução de 1964, dizia-se, buscou a mantença da Democracia): ou se admite a cartilha ou se admite a real conscientização.

Termino com a justificativa desta postagem: Muito se disse e nada se explicou.