terça-feira, 30 de junho de 2009

Eva viu a uva, pisou, fez vinho e bebeu


Justificativas à minha resistência ao termo "cartilha" e congratulação aos elaboradores das 30 ideias

Há quase 1 mês, lançou-se, na blogosfera, uma idéia: a reunião de 6 blogayros para a elaboração de uma cartilha de orientação ao homossexual. Pouco havia se falado sobre seu conteúdo e, por isso, dada a minha formação e meu estilo acadêmico, publiquei dura crítica ao uso de uma cartilha (veja aqui).

Apesar do berreiro de alguns, os próprios autores da cartilha - com quem, registre-se, sempre mantive cordial relacionamento -, ao que tudo indica, pararam para pensar (parar para pensar é, de fato, o mais importane exercício da Filosofia e, como toda ciência traz em si a necessidade de uma Filosofia que a repense constantemente, pode-se dizer que o trabalho desses 6 blogayros foi cuidadoso e responsável). Baniram o termo "cartilha" e, mesmo com um pequeníssimo atraso da edição (antes prevista para o dia subsequente à Parada Gay paulistana), publicaram o blog 30 IDEIAS PARA AJUDAR A CAUSA LGBT DO SEU JEITO. Li e reli... BRAVO!

Um dos idealizadores, o jornalista GUSTAVO MIRANDA, mantenedor do blog BOTA DENTRO, teve, inclusive, o cuidado e a cordialidade de voltar àquela minha crítica postagem e esclarecer a que veio: "vencer preconceitos". Louvável. Tão louvável quanto as ideias publicadas, ideias essas que, através desta postagem, homenageamos e recomendamos a leitura e reflexão (link acima).

Todavia, nem todos tem tutano suficiente: um leitor massacrou, da forma mais maquiavélica possível, o debate instaurado naquele momento. Uma pena.

O resultado da aparente "briga", ao fim, revelou-se saudável e necessário embate de ideias para aperfeiçoamento do trabalho. Deixou-me triste apenas a mentalidade tacanha daqueles que refutam o debate, que almejam o fim independente dos meios (e aí está o mais puro método d'O Príncipe).

Afinal de contas, Democracia pode ter a ver com tantas coisas que, como ensinava meu professor de Direito Constitucional, MANOEL GONÇALVES FERREIRA FILHO, está em todos os lugares e, ao mesmo tempo, não está em lugar nenhum. Pode ter a ver com o tudo e com o nada. Juristas do quilate de NORBERTO BOBBIO (Itália) já apresentavam a problemática de uma possível utopia na tentativa de uma definição clara e única de Democracia. E, se Democracia pode abarcar tudo, não só também pode, mas DEVE (até mesmo por conta dessa incerteza conceitual), instaurar o debate, que foi o que fiz, de maneira cordial, sem agredir pessoas.

Um revolto leitor chegou, inclusive, a sugerir que um skinhead era mais honesto do que eu, lastimo (Democracia também traz o direito-dever de lastimar frente à inconcordância no debate).

Não quis censurar ninguém, o que fiz foram, repito, críticas duras, mas que foram inteligente e nobremente levadas em consideração pelos autores das 30 IDEIAS.

Tenho em meu currículo passagem por Brasília e conheço bem as regras do jogo político legislativo. Afirmo, então, que de forma abrupta a "causa" jamais logrará êxito (a não ser que se pegue em armas), como nunca logrou, pois assim sempre foi feito. Tudo é um jogo de xadrez e, em política, as palavras pesam demais, devendo, portanto, ser selecionadas com o maior rigor possível.

Por derradeiro, em resposta ao revoltado leitor, digo: Eu não beijaria o Sarney se ele se dissesse favorável à causa gay por execráveis interesses eleitoreiros.

Acredito no debate de ideias. Acredito na solidez das atitudes pensadas. Desacredito em homens bomba.

2 comentários:

Daniel disse...

Eu entendi a sua preocupação, mas você emitiu um julgamento sobre uma obra ainda inacabada e tirou a conclusão errada como um observador externo. O termo cartilha sempre foi provisório e só foi usado por uma questão prática: nós trocamos, aproximadamente, 300 emails entre nós seis. Já imaginou a gente ter que se referir a ela sem um nome? Ia ser mais ou menos algo assim: "Galera, pensei em mais um tópico para a nossa... er.. nossa... isso aí que a gente tá fazendo" em todos os 300 emails. Cartilha sempre foi um 'working title' só para gente ter um substativo nos nossos emails. Mas o seu alerta foi importante para nos dar a certeza de que esse nome não serviria de qualquer jeito.

Alexandre Lucas disse...

Daniel,

Seria chover no molhado tecer aqui comentários elogiosos à sua pessoa. Presente recebido. Devo um post bem engraçado (espero) de agradecimento. Apenas um tempinho que meu julho será negro!