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À primeira vista, os números parecem estranhos. Há acessos vindos dos Estados Unidos, de Singapura e de outros países muito mais associados a centros globais de tecnologia do que a um antigo blog paulistano. Ao mesmo tempo, Macintosh e iPhone aparecem em proporções surpreendentemente altas.A interpretação superficial seria atribuir tudo isso a robôs, datacenters ou sistemas automatizados.Mas a história do próprio blog sugere outra explicação.Durante o auge do RH do Inferno, os feeds RSS eram uma das principais portas de entrada dos leitores. Naquelas primeiras décadas da internet social, antes dos algoritmos dominarem a distribuição de conteúdo, muita gente acompanhava dezenas ou centenas de blogs através de agregadores. As estatísticas históricas do blog mostram que o FeedBurner e outros sistemas de distribuição respondiam por uma parcela enorme do tráfego.O mesmo acontece com os dispositivos Apple.Ao contrário do padrão médio da internet brasileira da época, o RH do Inferno chegou a registrar mais acessos a partir de Macintosh do que de Windows. Isso não era um acaso. O blog sempre orbitou profissionais de comunicação, jornalismo, publicidade, design, internet e produção cultural. Era uma comunidade formada por redatores, jornalistas, publicitários, artistas, produtores e personagens da vida paulistana que, muito antes de a Apple se popularizar no Brasil, já utilizavam Macs diariamente.Vinte anos depois, o cenário mudou, mas a comunidade envelheceu junto.Os desktops viraram MacBooks.Os antigos iPods viraram iPhones.Muitos leitores mudaram de cidade.Alguns mudaram de país.Outros passaram a trabalhar em multinacionais ou projetos internacionais.Assim, parte dos acessos registrados nos Estados Unidos ou em Singapura pode representar tanto a infraestrutura técnica dos agregadores modernos quanto brasileiros que fizeram parte daquela comunidade e hoje vivem espalhados pelo mundo.Por isso, o que mais chama atenção não é a geografia.É a continuidade.Os mesmos padrões observados durante o auge do blog continuam aparecendo duas décadas depois.A forte presença de Macs.Os leitores que chegam por feeds.Os acessos vindos de blogs parceiros.As visitas a posts antigos.Tudo isso sugere que a retomada do RH do Inferno não está atraindo uma audiência aleatória. Ela está promovendo algo muito mais interessante: o reencontro gradual de uma comunidade que ajudou a construir uma pequena parte da história da internet brasileira.Os acessos gringos e a avalanche de maçãs mordidas não parecem uma invasão de robôs.Parecem a velha turma das redações, agências, blogrolls e mesas de bar dos anos 2000, agora espalhada pelo mundo, mas ainda reconhecendo o caminho de volta para casa.
Os dados estão sendo consolidados, mas a princípio o blog existe de 31 de agosto de 2006 até hoje.
Após esta constatação entrei em contato com colaboradores da época (éramos um grupo de blogueiros do eixo Rio-São Paulo) e amigos e aventei a possibilidade de escrever um livro sobre o blog, a cultura gay, arqueologia digital, influência de Queer As Folk (disponível apenas para as "Afags"), fotos raras, Sex And The City (principalmente Samantha), os sucessos e desafios da época em que predominava nas classes A e B o "Don't Ask Don't Tell" (DADT), o ápice das "Barbies" e da validação corporal, mimetismo tóxico, etc...
O blog ainda tem acessos diários dos 5 continentes e o Gemini postulou que 12000 acessos únicos em 2005 equivaleriam a centenas de milhares de views de Instagram atualmente. A contagem do Blogger passa de 1 milhão e mais de 3000 posts.
Este blogueiro está na internet desde 1994, com os mesmos logins em serviços que foram surgindo: hotmail, orkut, gmail, x, Facebook, Instagram, Fotolog (extinto), Google 1, etc...
Nossa fiel escudeira Tábata, os coautores e eu estamos na espera de opiniões. Aguardem
novidades. 'Bora quebrar tudo.
Os governos do Município de São Paulo e Estado de São Paulo são os únicos a apoiarem o consumidor sem luz de forma realista.
Vai botando umas Brahmas pra gelar... O ambiente de eleições, ativismo judicial e polarização política nacional está pedindo.