terça-feira, 26 de maio de 2009

Ein Volk, Ein Reich, Ein Mode

Mesmo que não existam provas, qualquer pessoa pode lançar uma teoria que se baseia em fatos que nem ela própria conhece: Tal é a base da TEORIA DA CONSPIRAÇÃO, malévola quase sempre. Mas a presente postagem não busca, deixe-se claro de antemão, formular nenhuma nova teoria da conspiração. Tratam-se apenas de constatações.

Pouco mais de 4 da madrugada do último sábado e o blogueiro JOÃO PAULO CUENCA (d'O GLOBO) acabara de sair de uma festa, a edição carioca da Adidas House Party, promovida para convidados da multinacional alemã na última sexta-feira (22.05.2009) numa mansão da Rua Caio Mário, Gávea. Seu primeiro ato foi postar em seu blogo sobre os espantos da festa:

"Os azulejos da piscina, que você vê abaixo, levam o que parecem ser suásticas nazi".

"Poderia ser apenas um detalhe que geraria comentários ambíguos se, num dos bares onde foram servidas bebidas, não pudesse se ver uma águia com a inscrição 'Hamburg Kriegsmarine' por trás das pilhas de copos da Adidas (rápida pesquisa no google: Kriegsmarine é o nome da Marinha da Alemanha durante o regime nazista, entre 39 e 45".

"no pequeno quarto que serviu de camarim para as bandas que tocaram no evento há ainda um quadro à óleo com um militar nazista de alta patente".

A postagem de CUENCA já gerou quase 60 comentários, sem contar os e-mails pessoais que recebeu, muitos deles criticando-o por ignorância. A ADIDAS, em resposta, manifestou-se dizendo "que desconhecia a existência de símbolos nazistas na casa que abrigou o evento realizado ontem na cidade do Rio de Janeiro e lamenta o fato". Arremata dizendo que "se soubesse que a casa possuía adereços que pudessem ser relacionados ao nazismo certamente solicitaria a pronta retirada dos mesmos ou uma mudança no local do evento".

De fato, a ADIDAS pode mesmo nada ter a ver com o ocorrido.(mas há quem sustente, no mundo, origens nazistas não só da ADIDAS, mas também da marca PUMA - veja aqui) . A polêmica maior recai sobre o dono da casa, o advogado e presidente da Associação de Moradores do Alto da Gávea LUIZ FERNANDO PENNA (conforme o JORNAL DO BRASIL, um defensor ferrenho do controle de natalidade e dos muros em favelas, por exemplo). Em entrevista ao jornal O Globo, disse que comprou as peças há cerca de 15 anos, de um ex-combatente da 2ª Guerra, e negou que os símbolos na piscina façam referência ao nazismo. “Aquilo é um friso, uma espécie de grega, decoração muito usada na Grécia e na China", disse. Ontem, em entrevista ao JORNAL DO BRASIL, PENNA, que se disse contrário a qualquer tipo de totalitarismo, afirmou:

"Posso ter o que eu quiser em casa, menos drogas e armas não autorizadas. Não faço apologia de regime nenhum nas ruas."

De fato, a questão levantada é de extrema importância. Além das recentes movimentações nazistas e respectivas repressões que têm tomado conta dos jornais, a Lei número nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989 (alterada pela Lei nº 9.459, de 15.05.97), no §1º do seu artigo 20, dispõe que "fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo" é crime cuja pena é reclusão de dois a cinco anos e multa. Logo, no nosso entender, se o advogado aluga a casa para eventos e não retira tais "ornamentos", incorre no crime previsto pela mencionada Lei.

Esse ocorrido me recordou de um fato já antigo. Certa vez, aqui em São Paulo, saindo da Livraria Cultura, com o olhar baixo, no chão do Conjunto Nacional mesmo, o piso daquela construção de vanguarda me chamou a atenção por formar sucessivos e infindáveis repetições de um mesmo símbolo. O que você enxerga nessa foto (batida despretensiosamente com o meu celular)?

Como falei, este é o piso do Conjunto Nacional, nascido do trabalho de JOSÉ TJURS (que sonhava transformar a Avenida Paulista na Quinta Avenida de São Paulo) e cuja inauguração da primeira etapa se deu em dezembro de 1958, contando com a presença do então presidente da República, JUSCELINO KUBITSCHEK. De fato, essa formação do piso deve apenas apresentar um infeliz efeito ótico, pois JOSÉ TJURS era judeu.

3 comentários:

Daniel disse...

O piso do Instituto de EDUCAÇÃO do Rio de Janeiro também é cheio de cruzes gamadas.

é verdade que o símbolo antecede o nazional-sozialismus, nem é exclusividade dele, tendo origens na antiguidade clássica.

Também acho que a imprensa está pegando pesado no caso. as provas aqui são circunstanciais e fora de contexto. Colecionadores de artigos de guerra costumam ter memorabília de ambos os lados da guerra. isso é perfeitamente comum.

Daniel disse...

...continuando
Daí a chamar a casa do cara de "mansão nazista" é um exercício de muita imaginação.

Alberto Pereira Jr. disse...

bafão hein?
realmente as evidências de que a casa é ornamentada com motivos nazistas é enorme...